terça-feira, 21 de julho de 2009

Pirro


Pirro foi um rei Grego que se opôs aos Romanos e que acabaria por ficar para a história por causa da batalha de Ásculo, em 279 a.C., que venceu com grandes perdas de homens. De tal maneira foi uma batalha equilibrada que, apesar de ganha, o nome do rei que comandava as tropas, Pirro, passou a associar-se a uma vitória pouco significativa, com tantos custos que se aproxima de uma derrota. Ou, pelo menos, um triunfo de sabor amargo.

Serve esta introdução para falar nas eleições europeias. Dirão alguns que já lá vão e não faz sentido voltar a falar no assunto, mas a verdade é que os resultados têm servido tantas análises e estratégias que se estendem para as autárquicas e legislativas, como se as europeias fossem apenas um referendo ao desempenho do governo em funções, que faz sentido voltar a falar nelas.

Vou ser clara, o PS perdeu as eleições de forma inequívoca e os resultados devem obrigar a uma análise profunda das causas que o determinaram e a um olhar crítico ao desempenho do governo.O facto, sustentado nas elevadas taxas de abstenção, é que os eleitores tendem desvalorizar as eleições europeias. E sim, é verdade, infelizmente tendem a olhá-las como um referendo ao comportamento do governo em funções. Mas, julgo que o PSD, que ganhou as eleições, devia ter o discernimento de não confundir esse facto com uma adesão às suas propostas. Ou seja, não me parece que, porque o partido mais votado foi o PSD e, note-se, teve o segundo pior resultado em termos absolutos da sua história, possa com segurança dizer que o eleitorado se identifica com as suas propostas, ou até que se prepara para votar nelas nas eleições que se aproximam.

Claro que já perceberam por que mencionei Pirro no início desta crónica. A vitória do PSD, a que não retiro nenhum mérito, e pela qual lhe dou os meus parabéns, é uma vitória de Pirro. Porquê? Volto a insistir que foi o segundo pior resultado de sempre do PSD. Mais, o PSD já perdeu eleições europeias, em 1994 e em 2004, em que teve votações superiores às que recebeu, agora, em 2009. Por isso, parece-me exagerado que os líderes do PSD se imaginem já a governar o país depois das próximas legislativas. Talvez conviesse esperar pelas eleições que aí vêm. E desconfio que a Drª Manuela Ferreira Leite teria mais hipóteses de as ganhar se tivesse ao menos a lucidez de Pirro, que, ao ganhar a batalha que o deixaria para a história, disse: “Mais uma vitória destas e estou perdido”.

Sem comentários:

Enviar um comentário