Se vamos votar num partido com a expectativa de que poderá vir a governar, e, no caso do PS, essa é uma expectativa legítima, é forçoso saber como pretende fazê-lo. Vem isto a propósito do programa eleitoral que o Partido Socialista apresentou. Claro que poucos o leram, e eu devo confessar que, mesmo sendo militante, não o fiz. Mas, ainda assim, as ideias que contém chegam até mim, quer através de notícias, quer através do debate que se inicia com a sua apresentação. Assim, antes das eleições, posso fazer uma aferição, admito que menos profunda do que devia, das propostas no programa, e depois votar em consciência.
Ninguém duvida que a política se está a transformar num campo de batalha do marketing que substitui ideologias, e de indivíduos que se sobrepõem a ideias. Quantos eleitores não votam num candidato apenas porque simpatizam, de forma irracional, com a sua cara? Ou escolhem um partido como se se tratasse de um clube de futebol? Em qualquer dos casos, muitos eleitores votam, por opção própria, num candidato ou num partido ignorando o que estes defendem. Parece-me arriscado, mas julgo que cabe a cada um decidir. Imaginemos agora que um eleitor quer escolher, com base em propostas concretas, em quem votar, mas os partidos não têm ou não revelam essas propostas? Nesse caso o problema é mais grave.
Pode-se criticar o programa eleitoral do PS, mas seria injusto esquecer que, o que é verdadeiramente criticável, é não apresentar ideias que possam ser avaliadas, e aí, a afirmação de Manuela Ferreira Leite de que o seu programa eleitoral, inexistente, se vai limitar a um conjunto de linhas gerais, merece uma sanção. É assim que se abre caminho ao marketing político que substitui as ideologias, e escancara a porta ao culto do líder que se sobrepõe às ideias. Em qualquer dos casos a governação fica refém do curto prazo. Mas suponho que devemos elogiar a coerência de Manuela Ferreira Leite, é que ela pretende fazer no governo, se a deixarmos, o mesmo que tem feito na oposição: navegar à vista.
Ninguém duvida que a política se está a transformar num campo de batalha do marketing que substitui ideologias, e de indivíduos que se sobrepõem a ideias. Quantos eleitores não votam num candidato apenas porque simpatizam, de forma irracional, com a sua cara? Ou escolhem um partido como se se tratasse de um clube de futebol? Em qualquer dos casos, muitos eleitores votam, por opção própria, num candidato ou num partido ignorando o que estes defendem. Parece-me arriscado, mas julgo que cabe a cada um decidir. Imaginemos agora que um eleitor quer escolher, com base em propostas concretas, em quem votar, mas os partidos não têm ou não revelam essas propostas? Nesse caso o problema é mais grave.
Pode-se criticar o programa eleitoral do PS, mas seria injusto esquecer que, o que é verdadeiramente criticável, é não apresentar ideias que possam ser avaliadas, e aí, a afirmação de Manuela Ferreira Leite de que o seu programa eleitoral, inexistente, se vai limitar a um conjunto de linhas gerais, merece uma sanção. É assim que se abre caminho ao marketing político que substitui as ideologias, e escancara a porta ao culto do líder que se sobrepõe às ideias. Em qualquer dos casos a governação fica refém do curto prazo. Mas suponho que devemos elogiar a coerência de Manuela Ferreira Leite, é que ela pretende fazer no governo, se a deixarmos, o mesmo que tem feito na oposição: navegar à vista.
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